Conversas sobre Ciência Cidadã
Com Francisco Sanz, diretor executivo da Fundación Ibercivis, fundação espanhola de ciência cidadã sediada em Zaragoza. Entre 2015 e 2018, Francisco Sanz coordenou os Laboratórios Cesar, rede de laboratórios cidadãos entre a Universidade de Zaragoza e o Município. À frente da Ibercivis, tem participado ativamente em vários projetos europeus de ciência cidadã, entre os quais EU-Citizen.Science e European Citizen Science, e atualmente o RIECS-Concept, dedicado à primeira infraestrutura europeia de investigação para a ciência cidadã.
Nos últimos anos, as infraestruturas de investigação para a ciência cidadã tornaram-se um tema central de debate na Europa. O que são e por que razão são importantes para a ciência cidadã?
Eric Raymond, no seu ensaio A Catedral e o Bazar, distinguiu duas formas de construir software: a catedral, fechada e planeada de cima por poucos, e o bazar, aberto e descentralizado, onde muita gente constrói ao mesmo tempo. A ciência cidadã é, por natureza, um bazar — projetos, recursos e comunidades que emergem de baixo para cima — e isso é uma virtude: confere-lhe uma flexibilidade, uma diversidade e uma capacidade de adaptação que uma catedral nunca teria.
O problema é que o nosso bazar tem hoje dois vícios. O primeiro é que cada banca constrói quase tudo de raiz: o mesmo formulário de consentimento RGPD cem vezes, em vez de um reutilizável; a mesma aplicação uma e outra vez, em vez de uma aplicação — ou um conjunto de componentes — que pudesse ser reaproveitada. É um desperdício de recursos, uma energia enorme gasta a fazer sempre o mesmo. O segundo é que...
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